"A melhor felicidade que exite é a felicidade sem motivos"

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Hoje foi um daqueles dias que decidi sair totalmente da rotina, precisava fazer algo que nunca tinha feito, algo novo que me tirasse totalmente desse mundo que tenho hora certa pra fazer absolutamente tudo, sair da rotina, ver lugares novos na minha cidade, me perder nesses lugares e sair perguntando um desconhecido qualquer como faço pra chegar em casa.
Me libertei de tudo que fazia no meu dia a dia e sai sem saber pra onde ir e o que fazer. Apenas coloquei uma calça jeans, uma blusinha branca, protetor solar e meus inseparáveis chinelos de todo dia. Peguei minhas chaves, coloquei algum dinheiro no bolso, nem contei pra saber quanto tinha, se não tivesse suficiente pra voltar, fazia algo que não faço a muito tempo, voltava pra casa a pé.
Sai caminhando com o pensamento, vou pegar o primeiro ônibus que passar e vai ser esse que vai me levar para o diferente. Andei alguns minutos com o pensamento longe, desviei de uma bicicleta que vinha na minha direção, escutei cantadas baratas de homens na rua, sorri para eles e disse, tenham um bom dia às mulheres de vocês as amam. Vi um quase acidente acontecer e ufa foi só um susto, prossegui na minha caminhada imaginando em que roubada eu ia me meter ou se eu simplesmente não ia me meter em roubada nenhuma.
Após alguns minutos de caminhada vi um ônibus vindo e fiz sinal, entrei, tirei o dinheiro do bolso e paguei uma passagem inteira, pois fiz questão de esquecer minha carteira de estudante em casa, pois não queria ser estudante nesse dia, queria ser uma pessoa qualquer que paga por sua passagem inteira. Engatei na roleta velha do ônibus e o cobrador gentilmente me ajudou, cobrador esse que tinha um senso de humor único, me fez rir por alguns minutos até alguém descer e deixar um lugar vago pra eu sentar naquele ônibus lotado.
Me acomodei em uma cadeira na janela, e de lá acompanhei o sobe e desce das pessoas apresadas para chegar em seus destinos, vi idosos entrarem e jovens cederem o lugar para eles sentarem, vi pela primeira vez o elevador para cadeirantes funcionando, é bonito ver que deficientes podem ter uma vida normal, é só fazer acontecer.
Depois de passar por tantos lugares, parar em tantas paradas, frear, acelerar, escutar a roleta girar, a porta abrir e a porta fechar, finalmente cheguei no meu destino, onde eu queria, no desconhecido. Puxei a corda, agradeci ao motorista e parei no meio da calçada, olhei para um lado, olhei para o outro e vi pessoas desconhecidas, lojas desconhecidas, a rua era desconhecida tudo absolutamente tudo era desconhecido. Eu estava perdida na minha própria cidade e eu não estava desespera para achar o caminho de volta, estava simplesmente feliz por estar perdida.
Sai andando pela rua e observando o lugar, nossa como era diferente da minha realidade. A única coisa que sabia é eu estava na periferia da cidade, onde tudo é considerado ruim, lugar onde trabalhadores são considerados bandidos e onde os filhos desses trabalhadores são considerados mine pivetes que herdarão a profissão dos pais. Ai como eu me sinto enjoada quando vejo gente falando assim, preconceito é algo que não me desce, é tipo iogurte, não vai de jeito nenhum.
Periferia, eu estava na periferia da minha cidade e eu estava feliz, muito feliz por isso. Fui fazer um tour pelas redondezas e conhecer mais de perto tudo aquilo. Vi gente escutando musica no ultimo volume na sua caixinha de som, vizinhos conversando, gente sentada na calçada, crianças brincando na rua, um homem bêbado no bar dormindo, uma senhora varrendo a calçada da casa, um casal se pegando na esquina da rua. vi cenas de pessoas sendo pessoas, vi cenas de gente feliz, vi, passei por elas, sorri, disse boa tarde e voltei pro ponto de ônibus, fiz sinal e voltei pra casa, pra minha realidade, pro meu dia a dia.



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